Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

O globo é um bairro de formato redondo.

“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro” A, Camus

O mundo é um espaço pequeno. Um lugar-comum de passeio efémero de todos – em insólitos lugares encontramos um português, em todas as esquinas um conhecido, o globo é um bairro de formato redondo, sendo que sem saber, ligamos propósitos e caminhos com outros, marcamos episódios na narrativa de cada um. Tudo e todos são transportáveis, na sua natureza física, mas principalmente na sua natureza cultural e social. Hoje em dia, as escolas estão, felizmente, repletas de uma multiculturalidade ímpar, de uma riqueza de costumes e hábitos que se deveria, pelo menos no sentido Darwinista, valorizar e promover. Pelo contrário, procura-se a “inclusão de esponja”, as culturalidades minor são ignoradas, pelo esforço opressor de tornar “aquele que não é” num dos “nossos” – uma visão ainda arcaica e primitiva, mostrando que os resquícios filogenéticos vão muito além dos reflexos primários e das estruturas proto-cerebrais, encerrando em si um valor cultural imponente.

A cultura na perspectiva individual do ser, torna-se o ex-líbris da Humanidade, a concretização de todas as suas competências ditas superiores em algo que na sua génese pressupõe transmissibilidade, como diz Albert Camus, “um dom para o futuro”, um pedaço do puzzle que se constrói e reconstrói no que somos e no que outros serão. Viver com diferentes culturas no mundo escolar é uma oportunidade única e notável para enriquecer o “sacralizado” currículo, se o virmos como “um balanço sem passivos” (Robert Half), em que cada interacção surge com uma modificabilidade potencial e real imensa. O ensino transportado para diferentes locais, hábitos e costumes, sem colocar os pés fora da sala de aula, leva ao reinventar as significações que cada um dá às suas experiências, a colocar novos significados/interpretações no que nos rodeia. A docência centrada na transmissão de conhecimentos é um modelo inacabado e imperfeito, que obriga crianças de “outras culturas” a um esforço imenso de aculturação, tantas com vontade de interromper a professora e dizer que não há como compreender o que ela diz, quando não se vive o que ela fala.

A escola, uma criação projectada no âmago emocional de cada criança tem que deixar aprender a magia dos ritmos da raça cigana, o seu compasso, a arrumação das suas melodias, assim como, a apetência genética dos asiáticos para a tecnologia (as i-inteligências), a capacidade notável de organização, sistematização e controlo dos nórdicos…tudo ferramentas para a aprendizagem do ler, do escrever, contar e SER – utensílios de uma educação, como processo de contágio cultural, a que não chega uma “Escola para todos”, mas uma “Escola por todos”.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

 

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This entry was posted on 1 de Fevereiro de 2011 by in Uncategorized.

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