Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

A lição de Mourinho.

“Apenas há princípios imortais, visto que, no dia em que um princípio morre, apercebemo-nos de que se tratava simplesmente dum paradoxo.” A. Detouef

Numa semana em que as mini-férias, a crise e, ironicamente, o 25 de Abril foram temas comentados, surge a notícia de mais um grande sucesso de José Mourinho, o português mais falado em terras vizinhas. Com o chegar de mais uma conquista deste treinador, uma memória avassaladora assolou-me o pensar – há uns anos atrás, em plena conferência de imprensa, Mourinho responde desta forma a um jornalista – “em condições normais vamos ser campeões…em condições anormais, também vamos ser campeões”. Uma afirmação que tem tanto de futebolístico como tem de potencial para uma análise reflexiva do quanto “vergamos” os nossos princípios à pressão da situação e contexto ou, por oposição, do quanto fazemos valer o que acreditamos perante condições adversas.

Uma terapia é um processo que visa sempre responder ao sujeito que a procura, ao que o sujeito é ou pretende ser, aos desafios/responsabilidades/potencialidades do contexto que o envolve e do qual ele é agente activo num processo de modificabilidade mutua. A intervenção terapêutica compreendida desta forma, tem uma componente reactiva forte ao que o terapeuta encontra em cada situação, no entanto, existem, na minha opinião, condições fundamentais que são imutáveis nesta “viagem”, que não dependem em exclusivo do terapeuta ou do paciente/cliente, são definidas pelas características marcadas da relação de ajuda.

O modo personalista como se encara a intervenção – muito importante, sem dúvida – não pode nunca sobrepor-se à obrigação de transparência, de compromisso e de respeito (valores éticos…Sim, porque é bom que estas palavras “esquecidas” não fiquem em silêncio na estante dos livros).

A transparência do que são os objectivos, as intenções de todos os envolvidos no processo, a “capa invisível” da verdade que se quer comunicável e acessível.  Saber onde se está, onde se pode chegar e aos “locais” onde nunca se chegará não é opção, é dever.

O compromisso como a base da ligação terapeuta – paciente/cliente, aquilo que une e faz perceber os espaços que ambos percorrem, os esforços e os direitos de cada uma das partes num trabalho para um resultado que responda à razão da existência desta relação.

O respeito, o “Santo Graal” das relações civilizadas, a “piéce de resistence” obrigatória de qualquer boa história, condição que mantém protegido o lugar do terapeuta e do paciente/cliente na relação – define as atitudes, as motivações e coloca as escolhas pessoais na condução do “barco”.

A garantia de que “em condições anormais” também respeitaremos estes princípios, que como José Mourinho disse, seremos “campeões”… à nossa maneira.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 26 de Abril de 2011 by in Uncategorized.

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