Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Por “portas travessas”

“Existem certas ocasiões em que um homem tem de revelar metade do seu segredo para manter oculto o resto." P. Chesterfield

As histórias são o material mais deformável que existe. Acrescentam-se pontos, transformam-se os contos, organiza-se a realidade do “contado” em função das ideias do “contador”. A veiculação da informação é um processo rápido, por vezes febril e sempre perigoso – as palavras proferidas, dão voltas completas no seu sentido e significado tendo em conta o contexto/forma/tempo em que são ditas.

Quando é desenvolvido um trabalho com “vidas” de pessoas que nos surgem a precisar de apoio terapêutico, existe uma responsabilidade acrescida de encarar a informação que se possui como um “tesouro” muito precioso que, mais que tudo, encerra um valor objectivo da confiança que foi depositada em nós. A protecção desta informação é obrigação profissional indissociável de uma prática responsável e leal dos envolvidos.

O conceito de confidencialidade urge como abstracto teórico que precisa de ganhar expressão prática, para que reuniões sem consequência não sejam tertúlias sobre famílias e crianças que não precisam, nem podem ver o que são, “jogado” a uma suposta partilha de informações que além de poder ser inútil, não acrescenta nada aos envolvidos. A discussão e partilha em equipa não deve ser tida como um processo leviano, de exposição descuidada dos casos – é uma oportunidade única e insubstituível para preencher as análises individuais, de conhecimentos diversificados e compartilhados, mantendo firme o assumir pleno da defesa dos interesses máximos das famílias como ponto de partida para a escolha da melhor hipótese de resolução dos problemas das mesmas. O saber guardar as informações e partilhar as mesmas nos locais certos e nas alturas adequadas pode ser o melhor espelho da relação de respeito e do pacto realizado entre o terapeuta e a família.

Além de uma obrigação ética, a confidencialidade, é um acto de estima e protecção na relação de ajuda porque como diria Amália Rodrigues, “de quem eu gosto, nem às paredes confesso” e se as paredes não podem ouvir estas coisas tão importantes, deixemos estes saberes para quem realmente pode agir sobre eles.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 17 de Maio de 2011 by in Uncategorized.

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