Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Agressão que a todos agrediu.

           

"Habituámo-nos a tudo, à miséria e à fraude, à corrupção e ao despotismo. A televisão mostra imagens até à fadiga." A. Barreto

Briefing da situação:

Uma rapariga de 14 anos é agredida por duas raparigas sobre o olhar atento de vários jovens que se divertem e gravam a situação. A agressão com um elevado grau de censura surge brutalmente nos olhos de todos, através das redes públicas de difusão de informação como a internet e a televisão.

            Porque ver é diferente de ouvir falar:

Quando de um momento para o outro a ferocidade de uma agressão juvenil entra nas casas de quem sabe que ela existe, porém, com a vontade de fugir ao sentimento incomodativo de o saber, ignora-a continuamente, a luzinha da consciência, ou o grilo (como o queiram chamar) acende e o discurso dos valores e das boas intenções vem à ribalta – na verdadeira “sociedade espectáculo” que são os debates televisivos – “Há que fazer deste caso um exemplo”, “pede-se uma penalização como nunca houve” e a frases clichés, “isto está uma selvajaria” ou “ onde é que isto vai parar?”. Os incautos, da moralidade sem práticas e da ética livresca, vêm agora com as suas opiniões, exigir acção, vêm proclamar uma espécie de “eu bem disse, que isto ia ou estava a acontecer com os nossos jovens”…ora bolas! Ao ouvir falar estas pessoas fica-se com a ideia que estas condutas são desastres anunciados, que são problemas que todos esperam que aconteçam, mas que ninguém age para que não sejam verdade na vida dos jovens e crianças. O caso não tem que ser um exemplo, as medidas a tomar não precisam de ser heróicas e despropositadas, porque não há sociedade edificada no medo da punição, não é a acção judicial punitiva que vai mostrar o que pode ser feito para que estes problemas sejam invertidos. Ao invés disso, aguardo, pacientemente, a possibilidade de fazer modelo as práticas preventivas e educativas junto dos jovens e das crianças – tornar exemplos vivos projectos de prevenção, de formação de pais, de competências sociais, do acompanhamento e monotorização de jovens em risco, do uso das redes sociais e internet…aguardo as lições destas acções, a sua vanglorização e o “tempo de antena” que teve este caso.

                  Porque ver é diferente de fingir não existir:

No sentido do choque que causa as imagens, reactualiza-se o estado de vigília da população para estes casos, reactualiza-se violentamente o sentimento de incompreensão e de uma aversão aos agressores – tornamos objecto de acção a compensação e o castigo…porque muitas vozes se levantaram para dizer o que está mal, o que é preciso mudar, mas muito poucas vieram falar em soluções que nem precisam de ser inventadas, precisam de ser partilhadas.

                     “O problema pode não estar na lei, pode estar na degradação do padrão de comportamento”

Luís Filipe Carvalho, advogado.

Eureka! Causa bem identificada…será preciso outro espectáculo difundido para pensar noutras soluções?

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.


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This entry was posted on 7 de Junho de 2011 by in Uncategorized.

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