Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Nem só nas eleições!

"Quando escrevo, visito-me solenemente” F. Pessoa

Eleições finalizadas, novos governos, esperança entregue aos escolhidos, abstenção enorme espelho da irresponsabilidade e da incapacidade da decisão consciente. Agora é não esperar pela “cura auto-induzida” do país que se pensa mover sozinho e regenerar-se pela história saudosamente grandiosa dos tempos idos em que os mares tinham o nosso nome e ainda se erguia a cabeça quando se falava no país-rectângulo que mora na beira-mar.

Todas as escolhas, em diferentes graus, exigem reflexão – as pessoas que governarão o país, a nossa vida profissional, o nome de um filho, gato, cão, as refeições e as saídas para o estrangeiro…tal como no período de eleições, há que haver um tempo de ponderação, do questionar inconveniente do que foi o ano lectivo, do que foram as viagens, encontros e desencontros, das escolhas e vivências profissionais que percorremos…

Seguimos o que definimos, ou as definições foram um contínuo do que surgiu? O que surgiu desafiou o que defendemos, ou defendemos o que já conhecíamos como certo? O que conhecíamos foi alimentado por novas descobertas, ou o que descobrimos não teve impacto no que sabemos? O que sabemos conseguimos aplicar, ou a aplicação não foi o que esperávamos? Esperávamos mais de nós nas respostas dadas aos outros, ou os outros não reagiram ao esforço que dedicámos? O que dedicámos levou à concretização do planeado, ou o planeado foi irrealista para com as condições existentes? As condições existentes são por nós passíveis de melhoria, ou são determinadas por factores que nos ultrapassam? Ultrapassámos as nossas capacidades evoluindo nos modelos de intervenção/educação, ou sentimos este final como a preparação de um igual inicio para perpetuação do já feito? O que já fizemos realiza-nos e alimenta a confiança na tarefa de professor/terapeuta, ou esta confiança é o que segura as “novas” motivações e evolução das perspectivas? As motivações e perspectivas foram partilhadas e reflectidas conjuntamente, ou a partilha e reflexão em grupo foi escassa e pouco exequível? Escasseamos na disponibilidade para nos interrogarmos e pormos em causa, ou compreendemos a função educativa e terapêutica como um percurso de descoberta e aprendizagem sem termo, em que estamos dispostos a envolvermo-nos e a ser envolvidos?

A definição do que somos e podemos ser não está encarcerada nos poderes políticos e ideológicos de quem democraticamente elegemos, está sim, guardada na capacidade de transformação e reinventação das nossas condições, sem a desculpa fácil da impossibilidade material das mesmas, valorizando as possibilidades humanas que a motivação e vontade de realização e concretização pessoal podem ter.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 21 de Junho de 2011 by in Uncategorized.

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