Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Análise factorial

"Todos os homens são bons, mas não para todas as coisas” V. Hugo

A opinião pública é expert em valorizar o chamado “factor X” no atingir do sucesso, de posições diferenciadas, de lugares de destaque nas mais diversas áreas. Nesta visão de uma diferença valorizada pelo pressuposto de uma competência acrescida, de um potencial maior para a resposta aos desafios e para a concretização do pretendido, assenta uma ideia de exclusividade perigosa, de separação ou filtro de quem já tem o que é preciso para ser competente, a quem o “X” lhes vale aceitação e creditação… mas se o “X” é importante, de que valem as outras letras do alfabeto?

Quando nos referimos ao conceito de competência, ligamos o mesmo a uma capacidade ou melhor, uma apetência para a resposta ao pretendido ou pedido de forma acertada ou eficiente. Ao abordamos a competência, vemos a mesma como um conceito com alguma estabilidade e consistência, não são, usualmente, ponderados os verdadeiros factores que fomentam e alicerçam esta capacidade – como exemplo, sabemos bem que o “X” é insuficiente para explicar o que torna uma pessoa com competência para avaliar e intervir com uma criança com dislexia e uma outra sem competência para poder sequer estar com a criança no intento de estabelecer uma relação com a mesma. Assim, analisando a competência e o que a sustem, surgem duas letras que parecem bem mais cruciais na “linguagem alfabética” – O “C” e a “E”. O “C” quando nos referimos ao factor conhecimento, sobre o “objecto” da acção, sobre a acção e sobre nós próprios, surgindo como aspecto basilar na capacidade para responder às situações, no entanto, como as construções abstractas do que lemos ou vemos não ganham “vida” sozinhas, contamos com o “E”, factor experiência, que nos coloca de frente com a concretização do que sabemos, precisamos saber e temos que adaptar no que toca às práticas competentes. Se experiência e conhecimento não se escrevem com o nublado “X”, também motivação (“M”) dispensa esta letra – e SIM! motivação é competência, pois não há como dar o máximo das capacidades se não existirem razões motivacionais que o possibilitem, o querer e o acreditar que se pode fazer a diferença e ser útil nessa procura.

No final, confundem-se as letras, valoriza-se quantas vezes a pontuação e esquecem-se os pilares que nos improvisam e nos aumentam nas nossas possibilidades – Entender a competência com um conceito mistificado é ser-se incompetente na compreensão da mesma.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 12 de Julho de 2011 by in Uncategorized.

Navegação

%d bloggers like this: