Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

A matter of self-deceive – nunca ter os olhos da família.

"Acidentes acontecem até nas melhores famílias." C. Dickens

Somos todos uma espécie de “self-deceivers”. As realidades que procuramos respondem, na maioria das vezes, ao que tomamos como certo, consciente ou inconscientemente ao que acreditamos ser verdade em relação ao mundo que nos rodeia. Ora compramos o jornal com a ideologia política ou clubistíca mais próxima da nossa, ora ouvimos os comentários televisivos da pessoa que mais se aproxima das nossas ideias ou mesmo o perceber e entender a realidade é marcada pelo nosso acreditar e visão sobre determinados conceitos e concretizações.

No âmbito do processo terapêutico, esta visão da realidade, muito influenciada pelas nossas convicções sobre a mesma, pode provocar, num certo sentido, um olhar unificado e simples da realidade das famílias e pacientes que se envolvem no decurso terapêutico. Assim, quantas vezes nos dirigimos à família como se conhecêssemos a sua realidade melhor que a mesma? Quantas vezes a compreendemos segundo os nossos modelos ou convicções sobre o que está certo ou errado na vida das 2,3,4,5,6 ou mais pessoas que constituem uma família? Deixamos que as práticas respondam às necessidades reais da família ou alicerçamos as nossas propostas nos pressupostos do que consideramos correcto?

O olhar terapêutico é, sem dúvida, um olhar especializado sobre a família e as suas dinâmicas, no entanto, deve ser um olhar que se comprometa a procurar ver da melhor forma o modo como a família percepciona os seus problemas e consequentemente lida com eles. As famílias com problemas (geralmente o termo problemáticas é duro e injusto) “vivem” a ser “transportadas” de local para local, para serem “tratadas”, encontram-se com técnicos com áreas de formação bastante distintas, são-lhe ditas mil e uma indicações diferentes sobre como devem fazer ou que não deve ser feito, o que são e o que deviam ser…como compreendem as famílias esta intenção terapêutica tão diversa e tão distante do que é entendido pelas mesmas sobre o seu modo de estar e ser?

As famílias afastam-se, descredibilizam e, mais importante que isso, deixam de acreditar na capacidade de se regenerarem, de mudarem e melhorarem o que são…existe tantas vezes um desejo “morto” de ingressar numa viagem de cooperação e trabalho conjunto com o terapeuta/técnico que não se reaviva com toda esta confusão de leituras e contactos dispersos com as famílias.

Na leitura das realidades, não nos enganemos a nós próprios pela dogmatização do que acreditamos estar a ver, há sempre mais no outro para ver do que aquilo que alguma vez possamos alcançar.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 19 de Julho de 2011 by in Uncategorized.

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