Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

4 Tempos de Loucura.

"Aqui, nós somos todos loucos." Chapeleiro louco (Lewis Carrol)

A loucura, o insano, o doido, o maluco…substantivos usuais na designação mais ou menos cientifica da estranheza de nós, na estranheza dos outros, ou dos que nos outros vemos do que já fomos e em nós sentimos que não somos mais. A realidade da doença do “descontrolo”, da perda de si, da impossibilidade de ser quem se quer ser ou do imperativo de não se saber que não se é o que se pensa ser

A loucura, esse conceito estigmatizado e que circula na “boca do mundo” quando apelidamos o grotesco, o extremismo da invulgaridade ou a face do desespero. Conceito que na sua génese, inicia-se com a percepção que o paranormal podia ser sinal de sofrimento consciente/inconsciente, noção de desviante do normal como sinal preocupante e que foge ao juízo da vontade e à magia religiosa (anteriormente apelidada de cúmplice dos estados de loucura). Quando isto aconteceu começou a falar-se em Saúde mental, em adaptação e funcionamento, sendo curioso constatar que se “descobre” a normalidade, quando algo a quebra e a torna visível para nós.

A loucura, tem o seu corpo no que é o corpo da pessoa. Não se é “louco” do pescoço para cima, nem “são” do pescoço para baixo – o corpo é espelho e o que nele é reflectido, é no corpo e pelo corpo que é feito o alerta das “desventuras” mentais, dos seus segredos e, acredito, hoje mais que em qualquer tempo passado, é também pelo corpo que moram grandes possibilidades de intervenção, assumindo o desafio de uma terapia que encontra na pessoa o foco essencial. Ao observar com acutilância vemos claro, corpos movidos rapidamente ou demasiado lentos, num processo frívolo de relação; corpos expostos e pouco protegidos pelas barreiras que desapareceram ou se fragilizaram (físicas e psicológicas); corpos isolados sem vontade de se esticar no e ao outro; corpos sem prazer e sem se lembrarem como é bom vivê-lo, uma incapacidade de estar e ser em si mesmo, no íntimo do que se é; corpos desarmónicos, que não conseguem ser o que pretendem. As ideias mistificadas de doença mental como se o corpo não estivesse envolvido, como se não fizesse parte do processo de transformação e funcionamento da pessoa aprisionam o melhor entendimento dos problemas que desafiam técnicos, professores, pais…

A loucura, no mundo das maravilhas de Alice era um conceito novo. Alice não era um extra-terrestre, era o desconhecido a conhecer-se, a loucura, que para nós saudável, para os daquele mundo tão louca. Perceber a normalidade é, sem dúvida, perceber o lado insano e original, os porquês escondidos do sofrimento de não conseguir funcionar consigo e com os outros.

P.S – Esta publicação foi escrita em desacordo ortográfico.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.


 

One comment on “4 Tempos de Loucura.

  1. Tânia McCormick
    13 de Setembro de 2011

    “Loucos sao aqules que me chamam louca por nao terem inteligência suficiente
    para compreenderem a minha loucura.” – ao ler o texto, lembro-me desta frase que li algures *

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This entry was posted on 13 de Setembro de 2011 by in Uncategorized.

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