Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Acabar o scrabbling…

“Na minha vida ainda preciso de discípulos, e se os meus livros não serviram de anzol, falharam a sua intenção. O melhor e essencial só se pode comunicar de homem para homem.” F. Nietzche

Palavra, direcção…parou, palavras, textos, compreensão, recepção, a voz, pragmática, divisão e as vontades. Os diálogos são feitos destas coisas, torneadas de cumplicidade, discordância, aproximação, segurança ou vazios, altos de nada e inexistência de tudo. Há conversas e conversas, momentos em que os signos que devem ser proferidos são uns, outros carregados de proibições auto-propostas ou pressionadas. Quando se inicia um diálogo, o que é susceptível de dizer está encontrado no pensar do “falador” mas, a susceptibilidade é coisa fraca, ponto a ruir na condução da conversa, nas condições em que as palavras se cruzam e embatem umas nas outras. No sentido deste cuidado e perícia em comunicar, que desafios são colocados aos terapeutas no contacto com as famílias? Que susceptibilidade ou entidade parecida está em jogo?

Em jogo está, quantas vezes, o termo sensibilidade, ou seja, a “faculdade de sentir”, saber sentir a inconveniência de algumas informações que são dadas ou recebidas, saber ser transparente e directo…enfrentar as barreiras que a comunicação sempre levanta, não ser “duro” mas claro a relatar os não-progressos ou condições desfavoráveis, ser entusiasta mas realista ao transmitir as evoluções e conquistas. Obrigatório conhecer o que se vai comunicar, crucial integrar as intenções do que vai ser comunicado.

A valorização desta comunicação com as famílias é um abaixo-assinado aos discursos de peritagem ou à transmissão expert, é um movimento a favor do uso de plataformas comuns de ligação, de partilha – lugar para um escutar maior que o falar, lugar para um espaço próprio preservado com a coexistência de um campo de contacto, de troca.

Assim, a comunicação com as famílias é, tendencialmente, molde de uma atitude, de um estar perante a mesma – espelho de pré ou pós conceitos sobre a forma como os seus constituintes se organizam e (sobre) vivem às adversidades e felicidades. Como destas ideias formadas, apenas se pode fugir e não esconder, ressalva-se a importância da importância do que é dito, do wishfull thinking forte em tornar pais aliados e do imperativo que estes têm em ser respeitados, na sua forma de sentir o que relatam e estar, no seu sentido existencial, com estas preocupações.

A comunicação com as famílias não é, de todo, acto frívolo de contacto, ou consequência do trabalho realizado, é processo a aprimorar e que detém direito a ser pensado e repensado por terapeutas/educadores. Neste ver, não há como haver esconderijos nas palavras, nem fugas para lado nenhum…há que acabar com o scrabbling, desmontar as letras e fazê-las ouvir e ser ouvidas.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 11 de Outubro de 2011 by in Uncategorized.

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