Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

“Rir é o melhor remédio!”

"Todo o humorismo sublime começa com a renúncia de se levar a sério a própria pessoa." H. Hesse

Às vezes rimos para não chorar…ou até podemos chorar a rir, o humor tem em si uma corrente de libertação, a transparência de deixar soltar o riso e o sorriso, o olhar para nós mesmo dentro ou fora do happening. São realidades estigmatizadas que trazem em si “frasquinhos” de vida a que ocasionalmente sentimos o perfume. Na generalidade das situações, rimo-nos da “desgraça” ou do ridículo (uma espécie de desgraça cómica e “levezinha”) – rimo-nos quando estamos em pé e a pessoa caiu, rimo-nos quando estamos certos e a pessoa se engana, rimo-nos quando a pessoa fica em surpresa e nós não, rimo-nos de nós, porque é um sentimento bestial quando fazemos algo que faça…faça rir!

O humor é um tipo estranho e divertido, subjectivo, variável, contextual…mas, omnipresente. Assim, soltamos a comicidade num decurso que é acima de tudo, uma corda relacional, de pessoas para as pessoas, intencional ou não, provoca à comunicação, incita à transformação e mudança de quem o assiste. Assim, se de relação falamos é natural tomarmos em caixa que o humor se encaixa nos processos de estar e ser com as pessoas, nas “viagens” educativas e nos “caminhos” terapêuticos.

Se uma piada/palhaçada pode derrubar as barreiras social ou pessoalmente construídas para nos defendermos ou fugirmos do contacto, porquê caracterizar a relação educativa/terapêutica pela rigidez e frieza na proximidade, rigor exacerbado e esquematização inalterável de planos e receitas para ser? Saber rir perante e com o outro é mostrar de nós a parte escondida, é amenizar as questões críticas mostrando uma entrega completa às mesmas, pois se nos rimos no desconforto é porque, ao menos cumprimos a primeira etapa, a de conseguir pensá-lo!

Também é esta piada/palhaçada, que capta a atenção, cria identificação e transforma o outro – no olhar que tem de nós, na imagem que constrói do seu parceiro no “caminho”/“viagem” – pois rir é um processo de exposição, o humor apresenta-se e por isso, tal como outras estratégias, surge como um utensílio fabuloso na criação de ligações, uma vontade sem igual de querer mais e de estar bem, sentir bem.

Assim, há que ir atrás destas vontades, o remédio das dificuldades, a infiltração das barreiras, o humor, esse facilitador das coisas e gerador de felicidades. Rir, cuidar, educar…são família próxima e precisam de se ver mais vezes, coisa que não fique só para as festas ou para os momentos oportunos de celebração.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.


 

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This entry was posted on 18 de Outubro de 2011 by in Uncategorized.

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