Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Com que meta?

“Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez ” J.P. Satre

Na vida além crise, além aumentos e orçamentos, num lugar mais longe que este que nos preocupa e rege, por vezes mais do que devia, há de certa forma um propósito, no sentido espiritual ou biológico, há uma meta, algo para onde nos dirigimos, condutores ou conduzidos, conscientes ou nem por isso.

Na consideração que realizamos do processo terapêutico e das suas implicações, “baloiçamos” nos objetivos paradigmáticos do que é ou deve ser a intenção terapêutica mor, o que guia a essência e existência da terapia e do investimento das diversas partes na mesma. Hoje, cuida-se da pessoa para favorecer a sua adaptação, a sua resistência à “ferocidade” de um meio competitivo e de interação, geralmente, fugaz. Agora mais que em outros tempos de tantas outras prioridades faz sentido falar de uma intervenção que sirva a “seleção social” – uma “prima” pós-moderna e futurista da seleção natural de Darwin, processo pela qual são valorizadas determinadas características individuais em superação a outras que podem ser um fator prejudicial ou inoperante no processo de sobrevivência. A terapia será esta procura de uma aceitação funcional no meio em que se está inserido ou no caminho inverso, é sim, algo individualista de conquista e superação singular de capacidades próprias a aprimorar, de necessidades singulares a trabalhar, de uma resposta à imperiosa vontade e motivação do paciente, estar e ser melhor, independentemente da pressão social “obriga” e indica posturas e comportamentos.

A dificuldade em referenciar uma prática com um pressuposto teórico e atitudinal que a suporte é patente, pois será a terapia um modo de chegar ao que se quer e pretende por parte do paciente ou uma tentativa forte de adaptar às regras de um “jogo” construído nas coisas que neste momento são sociavelmente valorizáveis?

Ao ir mais longe, há a considerar a hipótese de a terapia ser, no fundo, o salto para existir, a intenção de ir mais longe, trabalhando o que é a projeção de um não-ser atual que virá a ser no “ainda-não” outro eu… a terapia é centrar o presente nas concretizações futuras, nas metas do que ainda não veio, nas coisas que irão haver, superando as seleções artificialmente criadas de eficiência e performance, lutando para não desligar o que se é, do que o meio nos possibilita ser.

 

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 25 de Outubro de 2011 by in Uncategorized.

Navegação

%d bloggers like this: