Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Um espaço para a “neuropsicomotricidade”?

           

"Quando o cérebro humano se distende para abrigar uma ideia nova, nunca mais volta à dimensão anterior.” O. Holmes

A ciência navega a todo o gás por mares nunca navegados – a tecnologia dá-lhe mais vida nas possibilidades que conjetura e prova o antes impossível de probabilizar. Os porquês vão sendo respondidos e criando mais questões e dúvidas a quem investiga e se convoca para ir colocando pontos de interrogação na realidade que observa. Nunca como agora se focaliza os conteúdos da investigação cientifica sobre ciências humanas, nos assuntos ligados ao funcionamento cerebral e a sua aplicabilidade noutras áreas de conhecimento que, por direito e dever, se fundamentam na complexa rede neuronal que faz de nós os seres únicos e distintos de outros que povoam esta esfera giratória.

Na aplicação do conhecimento sobre a organização e funcionalidade cerebrais expressas na ação e comportamento humano, torna-se crucial que o conceito de psicomotricidade se ligue e com frequência se sobreponha aos modelos de compreensão e conceptualização das neurociências, fundamentando a sua prática e razão de ser das suas dimensões. O enfoque na valorização do corpo como agente principal do desenvolvimento e central da vida das pessoas cresce, se aliado a uma concretização quotidiana das suas influências e pelo esforço importante de tornar uma conceção, intervenção (evidência?) substanciada pelo que nos dizem os desafios que temos que colocar à psicomotricidade, os estudos que realizamos sobre a mesma.

As experiências a nível neuronal têm valorizado e contribuído para uma ideia de integração no funcionamento individual, na verdadeira “máquina” (nas suas componentes de integração e organização) bem montada e organizada que funciona sobre intervalos de resposta e receção de estímulos, respeitando o princípio que obriga a largar fora os preconceitos pensáveis de uma divisão emocional/racional, pensada/sentida, psicológica/motora…Assim nesta extinção de paradigmas dilacerantes do que é o SER, ressalta a psicomotricidade e a forma como a mesma é e está embutida na ação – grande parte dos estudos em neurociência canalizam-se no comportamento (de inicio com animais, evoluindo para experiências humanas…) e nesse sentido as interações estudadas vão ao cerne do assunto quando se fala numa resposta psicomotora, em algo que se inscreve no esquema bem orquestrado de uma “neuropsicomotricidade” – num jogo de equipa entre os fatores, psicológicos, motores e os substratos neuronais desta interação.

Há a necessidade de não nos fecharmos na construção de uma psicomotricidade que não abre espaço à fundamentação cerebral dos seus processos, à identificação clara das zonas cerebrais envolvidas no comportamento, à forma como funcionam e, mais que isso, à melhor maneira de as “trabalhar” no contexto preventivo e terapêutico.

Na ambição de dar este salto na compreensão da psicomotricidade, com este sufixo que faz a diferença, nesta ideia que ao podermos chamar a mesma de “neuropsicomotricidade”, estamos, em sentido concreto e justo, a chamar-lhe pelo seu verdadeiro nome.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 8 de Novembro de 2011 by in Uncategorized.

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