Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

São dos carecas que elas e eles gostam mais…

“À interrogação a que se não responde inventamos uma resposta, condensando a interrogação em pergunta.” Virgílio Ferreira

 

Quando estamos confrontados com algo que não sabemos bem o que é, não há nada que nos saiba melhor que a resposta ao procurado – seja ou não a resposta ao que perguntamos…a importância das respostas é pesada, marca passo decisivo no rumo das coisas, pois inevitavelmente, até a não-resposta, replica a muitas outras perguntas.

            Há um vicio instituído em deixar as pessoas nos impasses habituais do “vamos ver”, “não consigo determinar”, “é um conjunto de coisas” ou “não é fácil concretizar”…pais, técnicos e outros indivíduos envolvidos procuram que lhes seja dito o que fazer, como compreender e como gerir as emoções de tantas coisas que incomodam e deixam marca na vida de cada um. Assim, estas respostas habilmente vazias, cheias de não responder e carregadas de ilusões de espera e perpetuares de inércia e incerteza, não trazem nada do que é preciso, só preenchem espaço para a dúvida e um vazio que incomoda muito mais – a história clássica, mas tão necessária, da obrigação de ser directo e deixar claro as coisas que são, a forma como o sentimos e mais importante, a forma como queremos fazer sentir ao outro, tendo em conta o âmbito terapêutico.

            A importância de fugir aos rótulos e ao catalogar do indivíduo face a um quadro referencial faz com que haja uma fuga inconsciente à clareza da expressão das dificuldades, das circunstâncias, dos possíveis rumos, das coisas que têm sido prejuízo ou que ainda continuam erradas. Os obstáculos de expressão, os problemas de uma dicção desadequada, entendendo dicção como uma metáfora à forma como se comunica, resolvidos pelos labirintos enleados de algumas palavras que nada acrescentam.

            Ao pensar nesta questão, supostamente como na “lei da atracção”, é dos carecas que elas/eles gostam mais, por isso, não embarcar em modas vintage, nem deixar que os cabelos fartos tapem o discernimento, ser claro e transparente pode ser mais aconselhável, por mais que não seja para não criar mais problemas ou “cabelos” indesejados, daqueles que se alojam no interior da cabeça

           

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

 

 

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This entry was posted on 13 de Dezembro de 2011 by in Uncategorized.

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