Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

A máquina de acreditar em mentiras.

“O espírito do homem é feito de maneira que lhe agrada muito mais a mentira do que a verdade” Erasmo de Roterdão

Pois é, há uma verdade que invariavelmente se faz forte em fazer num “caos determinista” mentiras produzidas que enganam o que de melhor queremos fazer. A máquina de fazer mentiras, ainda que não intencionais, ainda que na melhor das intenções que de uma mentira se pode intuir. Quantas vezes ao comunicar com as pessoas que nos cruzamos, insistimos na força do acenar da cabeça ou da afirmação independente do ouvir, da formulação subjectiva mecânica do que nos é transmitido?

Assim, ao não conseguir fugir desta tendência para confirmar o que nos é dito, para em autómato dizer “sim, claro”, mesmo sabendo que ao pensar, nada do que disseram é claro e muito menos com sinal “sim”. Numa intervenção terapêutica, este nosso procurar sincero de uma empatia, que inatamente acreditamos ser a afirmação do que nos é dito, mesmo sabendo, que isso não é verdade, pode ser uma ferramenta de desenganos, um espaço para que durma a falta de coragem e a presença de uma falha de ouvido gigante para os objectos voadores que são as palavras, as posturas, as expressões que invadem a comunicação e alugam os nossos sentidos.

Tanto crianças e adultos procuram um ouvir e não um concordar, alguém que receba as suas manifestações e que as devolva com a certeza de que foram escutadas e valorizadas (em que sentido for), aceitar automaticamente o que é trazido para espaço de sessão, sem mostrar o quão isso é importante e a alteração que provoca nos participantes da mesma é ignorar o sujeito, deitar a presença do mesmo ao silêncio de uma resposta que não é mais que uma não-resposta, da inexistência em vácuo, no seu sentido limite.

Embora, a máquina se esforce por não funcionar, as dores cervicais podem demonstrar como este acenar por vezes se instala mais do que pretendíamos, assim, embarcamos a precisar de ouvidos usados e olhos cansados daquilo a que tomamos atenção. Estas serão, enfim, as dores terapêuticas de quem procura o melhor…

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 10 de Janeiro de 2012 by in Uncategorized.

Navegação

%d bloggers like this: