Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

O corpo deitado no mercado de valores

"A sorte combate sempre do lado do prudente." Eurípedes

Hoje quase que nos fazem acreditar que somos mercado, pois “jogados” a uma dinâmica mercantil que se exacerba nas palavras, imagens e sons de uma crise que de tão aclamada faz os factos superarem o real estado das coisas num “mood” de entorpecimento construído em cima das depleções, inflações, rating e  lixo…lixo criado nas poor” análises aos país e à natural capacidade que terá que ter para se ir “curando” das consequências pelas quais todos somos responsáveis, com graus diferentes de influência como expectável…

As decisões passam por investimentos seguros, alicerçados em poucas hipóteses de perda, que sejam bons a baixo custo. No contexto das aprendizagens e do desenvolvimento a crise pode ter chegado, mas esta consciência generalizada de ter que fazer melhor com menos, contínua subjugada às leis da necessidade de respostas imediatas, a low-cost e com o senso de milagrosas. Um bom negociante apostaria 80% dos seus capitais em valores completamente seguros, em acções que sabe que não ficaria a perder, deixando a sua procura de sorte ou “loucura” racionalizada para o restante capital, aplicado em valores com uma percentagem de ganho reduzida, mas que se o acaso sorrir ou mesmo rir, o lucro pode ser enorme (efeito de exclusividade). Pois nesta altura, no que toca ao sistema educativo, investe-se mal, aposta-se muito do que se pode dar em valores voláteis, em estratégias de vanguarda que tentam a sorte como se tivessem a tentar o certo, o que se pretende como adquirido e desejado. O corpo, o parente, tantas vezes, solitário da aprendizagem, é sob investido, percebido em pouca conta, a entrar e sair pela porta dos fundos das salas de aula e a constar nos rodapés dos chamados currículos…

O corpo, maior catalisador e ferramenta do desenvolvimento, utensílio primário de todos os processos de aquisição, retenção e utilização do que somos e fazemos ser, vale pouco no mercado de valores, pois entramos em loucuras vãs e insistimos em nos enganar-mos no mais arcaico que somos, procurar respostas a perguntas que já respondemos, a tentar ser outra coisa que não somos, a procurar separar um eu-racional de um eu-corporal – a tentar o acaso como se nada da realidade soubéssemos.

A sorte está do lado da prudência e neste sentido o que não falta é caminho para se fazer caminhar…

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

 

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This entry was posted on 17 de Janeiro de 2012 by in Uncategorized.

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