Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

O camaleão com problemas de consciência?

"O bom senso existia; mas estava escondido, por medo do senso comum” Alessandro Manzoni

O camaleão é um animal curioso – transmuta-se para que não o vejam, tem uma rotação ocular que todos vê. Na floresta de uma paleta inimaginável de cores, sombras, tons e luzes o camaleão desmarca-se na igualdade, esconde-se na circunstância para que camuflado, outros não o vejam e mal não lhe possam fazer ou dele não possam fugir…num aparte vantajoso, destaca-se a notória semelhança entre o medo de fugir e a vontade de atacar.

Por vezes, no contexto terapêutico/educativo vive-se distraído dos elementos camuflados, focalizado em túnel nos aspectos explícitos de uma vivência, no ritmo compassado e, muitas vezes, demasiado premeditado de uma intervenção planeada para ficar enjaulada e não para criar novas possibilidades. Os planos de sessão/aula permitem identificar o que se considera mais preciso e útil num determinado momento da relação estabelecida entre duas ou mais pessoas, no entanto, os planos arriscam-se a ser invasivos e a tomarem a face de uma atitude de não-escuta ou distracção racionalizada em relação a um contexto, um momento, uma interacção – a preocupação excessiva na execução do pré-estabelecido deixa menos disponibilidade à leitura e reacção ao que espontaneamente vai surgindo. Por ver em demasia algumas coisas, passam ao lado tantas outras – a ânsia de cumprir ao milímetro um programa, uma organização, um tempo e espaço, tapa olhos a uma visão alargada do contacto, a tudo o que surge e foge ao pensado, a tudo que, na maioria das vezes, enriquece e dá “luz” à nossa compreensão e ao melhorar do trabalho. Que as direcções pensadas sejam o volante dos passos, num caminho em que o desconhecido marca o trilho e em que levantar o véu do inusitado material que surge nas relações que temos, seja o motor de novos planos e rotas que se procuram cumpridas… até razões contrárias.

Carecem de afirmação os “camaleões” camuflados daqueles com que diariamente nos cruzamos, sabendo que também de nós parte a vontade de os querer ver e a competência na identificação das coisas que não contávamos observar e que são, tantas vezes, os frutos do trabalho que conhecemos estar a realizar.

 

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

 

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This entry was posted on 7 de Fevereiro de 2012 by in Uncategorized.

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