Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

E se a exigência for um algodão?

“Ninguém pode exigir o que no fundo lhe é prejudicial” Franz Kafka

O aqui e agora, leva-nos a uma discussão pública e pessoal (assim se espera…) pelos ideais de procura de qualidade e diferença nas actuações práticas que caracterizam a profissão que desempenhamos, nunca como antes se fizeram tanto ouvir – ou se ouviram tanto para se fazer. A descoberta do ponto em que a unicidade se transforma em criatividade e concretiza numa nova realidade que nos permite subsistência e mais que isso, traz benefícios a quem a ela recorre e dela se preenche é crucial e, infelizmente (ou felizmente), é condição inequívoca (pois de outra forma fica difícil encontrar lugar…).

Quando me questiono sobre como funcionará a toada de exigência que tendemos a ver tomada para nós e por nós face ao desempenho profissional, coloco sempre o algodão no cerne da questão – e se a exigência funcionar com o algodão que elucida e “não engana” sobre a nossa realidade e as realidades que acreditamos vir a fazer existir? Será que “branco mais branco não há”?

Se por um lado, a exigência leva ao conhecimento, ao saber até onde se consegue chegar e a estabelecer metas individuais e colectivas carregadas de objectivos ambiciosos e sonhos de fazer sonhar, também por outro lado, com a maior das facilidades expõe as fragilidades e a imensidão de “mundos” a melhorar dentro do nosso que, até indicação em contrário (eventualmente, troikiana), continuamos a ser nós.

Como principio importa valorizar esta condição de exigência que limpa o reflexo espelhado dos projectos que parecem impossíveis e que são tangíveis e deixa mais claro as utopias que guiam o caminho mas são lugares que nem faz sentido alcançar, porque são a rota dos esforços e concretizações, pois um horizonte é tão mais rico quanto mais a sua perfeição se fizer longe dos olhos.

A exigência obriga-nos a repensar-nos, a colocar em causa práticas e a vacinar-nos contra a maior das indefesas, o ponto mais fraco que possamos ter – o não conhecer até onde poderemos chegar – deixando o que era possível em realidades desconhecidas ou, pior que isso, fechadas na gaveta onírica.

Assim, a exigência e o algodão têm mais em comum do que à partida aparenta, pois se o algodão permite ver claro a realidade observada, também a exigência nos faz conscientes da nossa pois não a podemos enganar.

Pela defesa da profissão. Movimentem-se!

http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1259

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 6 de Março de 2012 by in Uncategorized.

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