Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Educação dos maus costumes.

“São muitos os que usam a régua, mas poucos os inspirados” Platão

Dia sim, dia não lá se ouve apregoar com tamanha pujança e com tons de desprezo descontente a afirmação magnânime – “isto no meu tempo não era assim”. Pensa-se a educação em flashback como um filme que o hábito viu, como uma história invariável, que soa sempre ao mesmo, que parece dar sempre a mesma resposta. Se jogarmos com as sete palavras da afamada frase, se quisermos dar outro sentido às sentenças que nada dizem a não ser história do que já foi, se trocarmos os tempos verbais tal como o tempo mudou os verbos, somos capazes de ler “isto no meu tempo não é assim” e talvez seja isto mesmo que é preciso.

Hoje parece mais fácil acusar os pais de incompetência, tomar a escola como declínio, as novas tendências como puras anomalias e as modernas ambições coisas esquisitas que vêm quebrar a antiga ordem das coisas, onde elas se encaixavam ao pormenor e faziam todo o sentido. Procura-se uma cópia dos estilos educativos do passado, pois só estes resultavam, cegando para as mudanças de quem na actualidade lhes dá “corpo”. Ao Manel que não come a sopa, o quarto pelo resto da noite era a solução, agora, não há nada mais enriquecedor para um miúdo que ir para o quarto o resto da noite e evitar comer as leguminosas – o quarto deixou de ser o lugar de restrição e é a janela do mundo (a internet, os videojogos, a televisão que agora mora em cada divisão…) portanto, aqui jaz o espelho de um costume inoperante. Como este muitos outros colocam em cheque a forma como se está demasiado “colado” às convenções de como tudo era e à ideia de que anteriormente tudo corria de forma espectacular. Esse inventado constructo de miúdo mal-educado, quase que transformado em quadro de diagnóstico confirmado parecia não existir e agora prolifera, dando cabo da cabeça aos educadores, levando movimento à língua dos delatores e defensores de uma ideia de educação de eficiência ilusória e completamente desadequada aos desafios que vamos enfrentando.

Agora, mais que nunca, são necessárias novas soluções e astúcia para as colocar em prática, pois dia sim, dia não, lá vem algo novo que agita as conquistas feitas e torna aliciante e, sobretudo, sempre diferente, o desafio de educar.

Pela defesa da profissão. Movimentem-se!

http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1259

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

One comment on “Educação dos maus costumes.

  1. Barros
    27 de Março de 2012

    Olá!!! Uma boa reflexão neste teu texto, realmente todos sabemos dizer “no meu tempo não era assim” mas são poucos os que querem por a mão na massa para ajustar as coisas as novas realidades. São pais, educadores, sociedade em geral a passar a responsabilidade de mão em mão. Somos uma maioria de “inadaptados” na nossa sociedade actual.

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This entry was posted on 13 de Março de 2012 by in Uncategorized.

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