Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

As tramadas epifanias dos mal-educados.

“Muitas vezes parece que o diabo bate à nossa porta, mas é simplesmente o limpa-chaminés” Christian Hebbel

Epifania “também pode ser conceituada no sentido filosófico, significando uma sensação profunda de realização no sentido de compreender a essência das coisas, tudo que pode estar no âmago das coisas ou das pessoas, isto é, poder considerar que a partir de agora sente como solucionado, completado, aquilo que estava tão difícil de conseguir”, segundo uma qualquer enciclopédia. Pois hoje, estamos imersos em epifanias, umas que com felicidade se mostram com clareza e fazem par à verdade das coisas, outras que ofuscam o que é real e se cristalizam como dogmas capatazes da nossa capacidade de nos reinventarmos e buscarmos o sentido nos sentidos.

Cada vez mais, em casa, nas escolas, nos espaços sociais comuns (aqueles que nos deixam pisar com liberdade…) as crianças com comportamentos que fazem fuga ao que é convenientemente esperado são tidos como “mal-educados”, como indisciplinados intratáveis e como espelho da incapacidade parental – isto usando termos mais simpáticos do que, habitualmente, são utilizados, tanto para pais como para crianças.

Será sempre mais fácil catalogar que tentar indagar as razões, nomear do procurar perguntar e questionar os envolvidos, desistir sem sequer fazer tudo para se poder dizer que existiu tentativa, por fim, criar a impressão que cresce para atitude e encerra, quase que em definitivo, o anseio de mudar. A palavra, ou as palavras (como preferirem), “mal-educado” são, no que me parece ser recorrente, das mais erroneamente utilizadas para designar dificuldades da criança face ao que, tantas outras vezes, é a incompatibilidade entre as suas características e o que, enquanto sistema social complexo, vamos exigindo. A compreensão é limitada e esbarra com frequência na invisibilidade das fragilidades e no seu caracter “interno”, que se nota obvio no exterior em comportamentos difíceis de “digerir” e ainda mais de controlar.

Para uma mudança pragmática, há que trocar as bases do que se considera certo, compreender que as explicações quase nunca moram sozinhas e são múltiplas e muito pouco simples, procurar conhecimento e as ajudas certas para não desistir sem sequer começar, pois não há maior obstáculo ao nosso trabalho do que nós mesmos, portanto há que contornar a tendência de encerrar o mesmo, simplificando, a uma suposta má ou boa educação que só deixa uma estrada sem saída à situação.

Agora, há este desafio de desconstruir a invisibilidade das causas do que nos causa dificuldades, pois, tal como dizia Christian Hebbel, poeta alemão – “muitas vezes parece que o diabo bate à nossa porta, mas é simplesmente o limpa-chaminés”.

Pela defesa da profissão. Movimentem-se!

http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1259

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 27 de Março de 2012 by in Uncategorized.

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