Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

No avesso das pegadas

“O homem é uma porção de matéria no estado de repouso e nem sempre se quer mexer” Alfred Montapert

Se decidir parar, pensar e tentar perceber no que estou a procurar pensar, metacognitivamente falando, dou por mim a imaginar como posso “brincar” com as palavras e fazer disso um hobbie fascinante e que me entusiasma a cada soletrar, a dissecar as pequenas assilabias, as nuances de género e número e os intrigados segundo, terceiro e quarto sentido dos vocábulos mais comummente utilizados e que há um bom tempo para cá percorrem este blog (inquilinos, talvez, vitalícios da minha mente).

No seguimento, deixando “falar mais alto” um dos sentidos escondidos da palavra mudança, delicia-me pensar que a vida está cheia delas personificadas nos momentos em que se transita de degrau, que exigem novas forças para subir, novos pesos para largar, às vezes companhia para a caminhada ser menos longa, outras o silêncio da palavra “só” para embalar cada passo. A vida corrida a mil, passada a ver embater o nascimento, o andar, saltar, creche, jardim-de-infância, escola, secundário, amigos, namorados/namoradas, descontrolo, puberdade, universidade, sonhos futuros, projeções de nós, concretizações, crescimento e por adiante…no início do final das vidas – são mudanças, só mudanças e mais mudanças que não deixam excluir aquelas que vêm de surpresa, felizes ou infelizes, obrigando a calibrar rotas e trilhos.

Mudança é exigir algo de nós que não existia, ainda que para isso se tenha que largar coisas que já somos e tomar risco em coisas que podemos não saber o que virão a ser – tendemos a desvalorizar o esforço e necessidade de tempo e suporte na adaptação às mudanças que fazemos, no entanto, todos, de uma maneira ou de outra, já enfrentaram estas dificuldades e o caracter desorganizador de uma mudança – independentemente do resultado da mesma.

Pois então há espaço para falar do movimento terapêutico na compreensão destas fases no ciclo de vida e o quão é importante perceber a satisfação face ao momento que se desenrola enquanto transição de um estar para outro, o impacto que cada momento tem no núcleo que se é e as dificuldades que um processo de mudança sempre terá na sua dimensão readaptativa. Por vezes, o terapeuta surge como um auxiliar, de estabilidade, de rotina e de ligação a algo seguro que se mantem mesmo no meio das mais ousadas travessias e das maiores tempestades. O próprio espaço terapêutico surge, tantas vezes, como habitáculo dos ensaios na mudança, do experimentar sem juízo de valor punitivo ou discriminatório, o espaço de liberdade para se ser o que é, mas acima de tudo, o que se quer ser.

No avesso, mudar é, como a palavra grita para nos dizer, “mu” que quero acreditar que vem de múltiplas e “danças” que se percebe o sentido que naturalmente tem. Então nestas múltiplas danças que a vida nos dá ou que decidimos dar à mesma, vamos virando do avesso e do direito um carril que por nós há função de percorrer por mais pesados ou leves que sejam os passos.

 

Pela defesa da profissão. Movimentem-se!

http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1259

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 3 de Abril de 2012 by in Uncategorized.

Navegação

%d bloggers like this: