Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Imprevisto improvisado

"A obtenção de verdadeiras inovações surge da conjugação de espírito empreendedor com a liberdade de experimentar, não de um planeamento central pretensamente omnisciente” Pedro Pita Barros

O imprevisto faz parte das determinações da vida. Nada poderia ser mais irónico e ao mesmo tempo tão verdade como isto – leva-se os dias a tentar fugir ao determinismo e o imprevisto prega partidas repetidas como se não ter as coisas determinadas fosse norma e determinação das coisas em nos fazer compreender isso. Nesses momentos que não esperamos, alimenta-se adaptação, mudança, transformação, inovação, reinvenção, consignação, desistência…quando de nós depende dar-lhes as tonalidades que eles podem significar e o peso que podem fazer sentir.

No processo terapêutico, especialmente naquele que se dá à liberdade de não ficar “amarrado” às convenções metódicas rígidas e frias em que o passo seguinte é uma obrigação mais ou menos aritmética de um conjunto de estados anteriores, ressalva-se o espaço que existe para a experimentação orientada e solucionadora da realidade que, tantas vezes, prega partidas e dá voltas às voltas. Quantas vezes precisamos gerir conflitos que surgem sem avisar, ajudar na resolução de angústias que não se esperava sentir, perceber o que falta e não costuma faltar, guardar o que vem em demasia ao que é costume chegar. E se o imprevisto não for improvisado como receber e transformar? Manter o plano que vinha engendrado, “desimportar” aquilo que surge no contexto terapêutico? Jogar as soluções para as expectativas de resultado futuristas do que idealizamos e que conduzem (e ainda bem) a nossa intervenção ou saber que antes de mais, solucionar imprevistos é também construir as pontes por onde vamos caminhar e as relações das quais queremos fortalecer o processo.

Talvez, nunca como hoje, tenha pensado no gosto que tenho por tantas palavras que começam por “i”, pelo entusiasmo da invenção, a novidade da inovação, o experimentar do improvisado, o prazer das ideias, a psicomotricidade quando tem uma identidade, o trabalho que vai além de uma imagem ignóbil de perfeição arquitetada sem janelas para ver o sol entrar, nas novidades que o imprevisto vai fazendo por trazer.

 

Pela defesa da profissão. Movimentem-se!

http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1259

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 17 de Abril de 2012 by in Uncategorized.

Navegação

%d bloggers like this: