Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

E há uns dias, ou milhares de anos foi assim…

“O meu cérebro não pensa, mas enquanto eu penso, passa-se sempre algo no meu cérebro.” Jean-Pierre Changeux

Deu-se o pontapé de saída com Weiss (1971)

“A teoria da evolução confere à motricidade o papel motor, que ilustra o triunfo evolutivo dos vertebrados e, na espécie humana, a significação da sua comunicação e da sua civilização”

A dissecar os caminhos paralelos entre o nós e o pelo antes de nós…

“O Homem, na sua fase inicial de afirmação, não é, muito mais, que um macaco nu.” Moris (1970)

Viajamos em velocidade de cruzeiro à pele e como esta nos abre a um universo de expansão sensorial só permitido pelo maior órgão do mundo.

E se como diz John Dewey (1925)

“Os problemas surgem porque tentamos responder a um mundo que nos desafia em constante, somos obrigados a pensar por inerência da condição viva.”

O corpo nas suas extensões faz jus à sua importância nisto de pensar.

“A mão refaz o cérebro e este dá-lhe capacidades práxicas e simbólicas de integração das coisas” Fonseca (2001)

Damos a condição de recém-nascido à inventada cultura, pois esta nasce de uma intenção comunicadora e de uma transformação do homem no que de mais inato tem – o Corpo e as suas relações com o mundo.

“A linguagem é a nossa 2º pele” Barthes (1973)

Quando o filho excêntrico da cultura marca presença e se chama Arte, esta vai desbravando os mais recônditos mistérios do nós.

“Olha, o corpo compreende e é o sentido, o assunto principal, e contém e é a alma.” Whitmann (1855) – Unidade corpo mente.

“O paladar da maior parte dos sabores é o olfacto.” Escoffier (1903) – Omnipresença da subjectividade.

“A música é o som da arte a mudar o cérebro.” Lehrer (2009) – Marco da “Sagração da Primavera” de Stravinsky.

“A mente é um conjunto de fragmentos em tensão para criar o Eu”. Woolf (1927) – A Mente como processo e não como lugar.

“Não há nenhum contrassenso desprovido de senso”. Stein (1920) – Cérebro e aprendizagem.

E assim a ciência tinha o caminho aberto para experimentalizar estas epifanias e entender e reaprender de forma constante que pelo corpo passaram todas as grandes evoluções do homem e que este continua a ser o elemento fulcral da relação com os outros e com o mundo.

A psicomotricidade é a dimensão fundamental do desenvolvimento humano.

P.S: Um resumo breve da conferência “O Corpo: desde o pelo à sociedade contemporânea” apresentada no dia 25 de Maio no IV Encontro de alternativas em Sintra.

Luís Fernandes.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 29 de Maio de 2012 by in Uncategorized.

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