Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

A camisola da Educação.

“São muitos os que usam a régua, mas poucos os inspirados” Platão

Na televisão, jornais, mundo cibernético, mundo apalavrado por ai, a educação é dos assuntos mais dissecados e colocados na “desordem” do dia, arremessada como arma politica de contestação, assunto central de discursos tão teorizados como vazios de concretismo e, lá no fundo, alvo de uma reivindicação justa e quase ingrata por ter que existir por parte de professores e alunos que cada vez mais se veem engolidos num sistema em que não se reveem e que acima de tudo não é nada do que ambicionam que fosse, pois é uma antítese cruel a tudo o que se tem construído neste âmbito – a “moeda”, infelizmente, obrigou a virar a face da educação e a torná-la algo que pode, lentamente, jogar fora a maior riqueza da humanidade – a cultura e a sua transmissão.

Hoje, visto a camisola da Educação para tentar, na possibilidade legitima da minha ação, a luta de evidências contra K(C)ratos, o herói do olimpo que destrui os deuses na sua viagem ou, num tempo mais atual, o anti-heroi que dissipa as premissas de uma educação humanizada – para juntar às coincidências, existe também uma tática da policia de Londres para lidar com terroristas suicidas que consiste em atirar sem aviso na cabeça dos suspeitos (neste caso será dos professores e alunos, a parte inocente da história).

Ao vestir a camisola vejo como está mais curta, o dinheiro é cada vez menos e a sua canalização e gestão não é priorizada – diz-se que se vestia XL, mas para professores e alunos, a camisola já era de lycra (bem apertada) há muito tempo e a educação vive suspensa no apertar gradual dos recursos para a mesma. Além de curta, aparece-me esburacada, com eliminação de disciplinas tidas como secundárias e com um investimento pseudo-intelectualizado na matemática e português, sinto-me a vestir uma camisa que tem as mangas arranjadinhas e carregadas mas falta-lhe o resto que serviria para tapar o tronco, com todo o caracter fundamental que o mesmo tem no que sou. Por fim, ao vestir o que da camisola vai restando, vejo que toda a gente a veste igual e que, este vestir não foi o que escolhi nem me realça o melhor em mim – sinto-me mais um como o outro e ainda por cima mal formatado.

Para vencer a batalha, percebi que nas condições em que a Educação está e, principalmente, para onde caminha, não restará grande camisola para vestir, mas sei que ninguém pode e deve parar de lutar por melhores condições e por provar nas ações individuais e coletivas que existe muito para mudar e uma dimensão humana que suplanta a económica – não nos devemos deixar abater, pois nas grandes revoluções e mudanças, há sempre alguém em tronco nu.

Luís Fernandes.

Apelo a uma discussão directa às questões levantadas no corpo da reflexão, lembrando que outras profissões passam por semelhante situação. Mostrem a vossa opinião neste espaço, para que a mesma possa ser partilhada.

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This entry was posted on 14 de Junho de 2012 by in Uncategorized.

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