Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Os linfócitos regressaram.

“Quando imaginamos o nosso futuro, o problema é que o imaginamos com base no nosso presente – e não com base naquilo que seremos quando o futuro que imaginamos se tornar presente.” Daniel Gilbert

O tempo é de regresso…às aulas, à escola, aos colegas mais amigos, aqueles que irritam, aos que nem se conhece, às rotinas endiabradas da azáfama matinal e as dificuldades que as vezes se guardam no bolso das férias mas que agora não cabem lá dentro. As coisas habitam no mesmo sítio, mas as exigências são outras, há mais que estudar, há melhor que comportar, há mais desafios que o crescer vai fazendo acontecer e há, por fim, a sensação de regresso que deixa sempre a lembrança de que nunca se chegou verdadeiramente a partir.

O início de uma nova fase, pessoal, terapêutica e educativa vive da necessidade de um “eu” diferente e acima de tudo de um “nós” mais trabalhado – temos a crise, os impostos e todas as dificuldades de que cada vida farão parte, no contra balanço dos novos projetos, das relações que suportam, da vontade de fazer e ser o que se deseja e acima de tudo o que se é.

Para terapeutas, professores, pais e crianças, está na hora (não da caminha como dizia o ancião Vitinho) mas do reforço das defesas e da injeção motivante da procura da novidade e felicidade mesmo em tudo o que está igual mas que o nosso olhar, ou o que fazemos com ele, pode mudar.

Assim, numa altura em que tudo se adjetiva de pouco, o sistema imunitário psicológico de cada um precisa de se fortalecer, de aumentar os “linfócitos” que nascem das relações, impedir que corram para fora dos problemas, dificuldades e fragilidades para fazer com que a (imuno) depressão nunca seja a única realidade.

O regresso, ainda vive destas utopias concretizáveis, do relato alegre e descomprometido de umas férias passadas por cá, da vontade de que se lembrem de nós e que sejamos lembrados, do acreditar muito que tudo vai mudar mas saber que no cantinho da consciência ainda há obstáculos a contornar – pois estes percursos nunca são fáceis, todo o projeto pessoal/educativo/terapêutico que se queira renovar implica dedicação e aprendizagem que, vai sendo ofuscada pelo hábito e apatia que as falsas “pieguices” nos fazem sentir.

Os “linfócitos”, esses, são da nossa responsabilidade e se as contrariedades os podem fazer fugir, os regressos são sempre uma renovada oportunidade para lhes mostrar como é bom ficar.

Um grande regresso para todos!

Luís Fernandes.

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This entry was posted on 12 de Setembro de 2012 by in Uncategorized.

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