Reflexões de um psicomotricista

Uma visão do processo terapêutico e as suas implicações

Errar é um contrapeso

"A deformação que constitui um lapso tem um sentido." Sigmund Freud.

“A deformação que constitui um lapso tem um sentido.” Sigmund Freud.

Por vezes somos homens balança, agitando-nos com os pesos que empurram para lados diferentes, que pesam como erros, que cumprimos em fazer esquecer que são inevitáveis e fazem parte deste caminhar. Nem sempre é fácil perceber que peso os erros têm, de que de maneira inclinam as coisas e as fazem cair como quem obriga a levantar. Tudo o que é intervenção terapêutica balança neste contrapeso de saber quanto pesa a balança, de fazer entender como questionamos o que vamos fazendo, como somos capazes de ir pondo em causa os passos rotineiros que nos ensinamos a andar.

Podemos ser tal e qual o homem que andava pela rua ao pé-coxinho porque pensava que só se deve andar com um pé no chão e outro devia levitar no ar, como os sonhos e os maiores desejos. Assim, nesse compasso projetado fazia contas para entreter as visões das coisas – pensava no que pesaria mais, se um quilo de algodão ou um quilo de pensamentos…pensou, tombou e caiu com o pé e os sonhos no chão – nunca um pensamento pesou tanto que não o fizesse depois levantar. Ou por sua vez pensamos como aquele que anda em planos distintos, em que os passos que dá estão acima do chão de todos, a fazer lembrar o equilíbrio na corda com esta a gritar ausente, a fazer crer que a lei chamada gravidade é assunto de outras vidas e que o peso é coisa que não o assiste, que não o faz tropeçar pois não pesa para o fazer sentir caído – que não pensa em quilos nem algodão, porque a vida pesa-lhe sempre o mesmo.

Hoje, talvez mais do que nunca, talvez com a crise, o Natal, as obrigações éticas, as investidas tecnológicas, a pressão da concorrência, a procura de soluções, o desespero dos que as procuram…talvez hoje, as coisas têm que pesar, talvez seja altura de tombar as conceções pré-feitas sobre estratégias, principio, terapia, Saúde, Educação, usar a balança das nossas reflexões e contar com os erros que fazem “cair”, que nascem do pensar sobre as coisas e da batalha que nos propusemos a travar na resposta à rotina que insiste em viver instalada no nosso sofá a comer fritos e a “fritar-nos” as possibilidades.

Errar é poder “pesarmo-nos” sem ir à farmácia, usarmo-nos como balança de nós mesmos.

Errar é um contrapeso.

Luís Fernandes

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This entry was posted on 4 de Dezembro de 2012 by in Uncategorized.

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